(Português) Onde está Abel, o teu irmão?

(Português) Às vezes apetece deixar de interrogar o que se passa à nossa volta, de tentar percebê-lo, e, até, de nos percebermos a nós próprios e à nossa humana condição. Eu sei que, em regra, nos criaram e educaram – na família, na escola, na que foi a nossa “aldeia” – para termos comportamentos solidários, amáveis, respeitosos e para cultivarmos ideais e valores morais, cívicos, também religiosos (qualquer que fosse a religião) e, até, para abraçarmos o que hoje se diz “politicamente correto”. A esperança estava na construção de uma humanidade, de cada um de nós, afinal, com qualidades de nobreza de onde brotaria a concórdia, a justiça, a liberdade ou, no mínimo, a caridade – virtude que, sendo dita de múltiplas formas até por não crentes, nos lembra que só existimos e sobrevivemos com os Outros.

O itinerário que cumprimos por cá vai levando muitos seres humanos por caminhos que desconstroem essa consciência. E não vale a pena repisar o que se vivencia à nossa volta, à nossa porta e no quintal que é hoje o mundo globalizado.

Acaba de ser lançado um livro que, para alguns, é o fim do caminho e entre estes julgo-me presente no choque que vivenciei ao ouvir o seu autor, Frédéric Martel, a apresentá-lo – com contraditório – numa estação de rádio, há apenas uns dias.

O livro tem o título “Sodoma, Enquête au coeur du Vatican” (ed. Robert Laffont), e desnuda a realidade que, no âmbito da sexualidade, se vive no Vaticano: cerca de 80% dos eclesiásticos que habitam na Cúria Romana serão homossexuais! Têm nome e “pedigree”, que o autor, também ele um homossexual, bem conhece tanto quanto os labirintos delico-doces onde se abrigam e donde pregam o que não praticam.

Cumpre esclarecer que não me move a mínima pitada de homofobia, de racismo, de qualquer “ismo” dos muitos com que se pratica o ódio aos que não nos veneram; e que tenho bons amigos homossexuais e de outras opções sexuais que não a minha; que muito os respeito e admiro e eles a mim. Sem hipocrisia!

Sabemos que o Vaticano é, no concerto das nações, um Estado.

Mais do que isso tem sido um farol que alimenta o Cristianismo. E que a religião católica é abraçada por muitos milhões de pessoas em todo o mundo. E se o segredo agora evidenciado não será, para muitos, mais do que um “segredo de Polichinelo”, o certo é que é letal, também, para a Igreja Católica. E o problema nem será, sequer, a orientação sexual de tantos “donos” do Vaticano: a maior e, porventura, insuperável e trágica questão chama-se HIPOCRISIA. Como defendem o celibato e a castidade e fazem o contrário? Atacam os pedófilos e praticam pedofilia? Criticam a luxúria e os prazeres sexuais imoderados, e, eles próprios, os cultivam? E …, e … ?

Direi que o céu (sem qualquer sentido religioso) se abateu sobre muitos de nós. Nesta curva da estrada, ao fundo, estará o precipício. Só não sei se é por aqui, ou lá em baixo.

Papa Francisco! …

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