(Português) 14 de julho: França e Portugal

(Português) As festividades do dia 14 de julho em França designadamente o desfile militar que ocorreu nos Campos Elísios, não poderiam passar à margem de algumas observações também de quem, não sendo francês, é europeu convicto. E, no transe, português. Direi o porquê, não sem antes deixar, porém, um aceno de muita simpatia pela cerimónia que teve lugar em Lisboa, nos jardins magníficos da Embaixada de França, e na presença da nova embaixadora (ambassadrice, diz-se agora) de França em Portugal Sra. Florence MANGIN.

Em 14 de julho celebra-se uma data histórica para toda a europa e, até todo o mundo e não só para França. Em 1789, a “Tomada da Bastilha” – assim ficou na memória dos povos – expressou-se no combate cívico contra os abusos do poder monárquico então vigente, nos alvores da Revolução Francesa, que transformou o mundo político de então. Hoje comemora-se como um símbolo universal da vitória sobre a tirania e a opressão.

Ora, neste ano de 2019, a data em causa tocou bem fundo em todos os que desejam mais e melhor europa. Refiro-me à presença de muitos representantes de outros estados da EU por ocasião do referido desfile militar, aqui destacando a excecionalmente relevante presença portuguesa: o Presidente Marcelo Rebelo de Sousa do lado direito do presidente francês, Emmanuel Macron, e os militares portugueses, sob a bandeira nacional, a desfilar com os demais naquele solene lugar.

Portugal é hoje – muitos de nós não queremos reconhecê-lo – um Estado respeitado e uma nação virada para o futuro mais exigente e promissor. É assim que muitos, lá fora, nos vêm e tal deveria elevar a nossa autoestima coletiva e a nossa dedicação à portugalidade. Cidadãos nacionais ocupam vários dos mais destacados lugares de poder e influência na Europa e no mundo; empresários e trabalhadores portugueses são os mais procurados e desejados em economias estrangeiras; os soldados portugueses em ações humanitárias e de paz pelo mundo fora são profundamente elogiados. E poderia continuar a elencar situações relevantes que têm a marca dos portugueses.

Para além deste aspeto que a todos nós, portugueses, não poderá deixar de tocar fundo, há que, como europeísta, fazer ressaltar a ideia que o estado francês apresentou ou, melhor reafirmou, no domínio da defesa europeia. Face à crescente dificuldade dos laços transatlânticos no tempo crítico de Trump e, também, diante de um Brexit que não ata nem desata, a Europa da defesa tem de dar passos ao diante nomeadamente estabelecendo a sua autonomia estratégica.

Portugal tem uma palavra decisiva a dizer neste âmbito. De Trás-os-Montes aos Açores há razões fortes para sermos tidos como incontornáveis parceiros da futura europa da defesa. E muito para além disso. Até Trump parece, agora, querer fazer uma visita ao nosso país…

Cumpre perguntar: e que vamos fazer nós, portugueses, quanto às expectativas dos nossos parceiros e, sobretudo, relativamente ao nosso próprio destino?

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